Ultimamente, andei assistindo a muitos filmes sobre músicos. E isso sem falar dos vídeos do Youtube! E isso não está me fazendo bem. Tá me deixando deprimida, pois a cada filme eu percebo o quão relaxada eu sou com a música e que, desse jeito, eu não vou me tornar uma boa musicista nunca! Domingo último, assisti “O som do Coração” que, pode-se dizer que possui 99,9% de seus personagens composto por músicos. Um filme lindo, recomendo-o, não precisa ser músico para gostar. Enfim, o garoto, o protagonista, é uma verdadeira lição de percepção musical, dedicação e amor à música. Uma parte que me tocou é quando a ele é perguntado se gostava de música, e o garoto responde “mais do que de comida”. Antes de ontem, na segunda, vi “Amadeus”, filme que conta a história de W.A. Mozart. Se eu já o admirava, agora o faço mais ainda. Percebi que música não é só algo que se ouve ou toca, mas, sim, um estilo, uma filosofia de vida. A música está na forma como se vê e percebe o mundo, como se relaciona com as pessoas, com as coisas, com as situações. Ser músico não é apenas uma escolha de carreira, é mais do que isso: uma opção de vida.
Disse que não iria falar dos vídeos do youtube, mas eu não aguento uma menina japonesa de uns cinco anos tocando divinamente um órgão! E um garoto japonês, (ô praga!!!) de uns dez anos, humilhando, em técnica, qualquer músico violonista, em um violão de tamanho GRANDE, (é, isso mesmo, aqueles que adultos usam). Comentei sobre esse último com meu professor de canto e ele disse “é a disciplina”.
Ontem, a minha aula de violão foi praticamente toda dedicada pelo meu professor a me dar um sermão a respeito de ouvir, sentir aquilo que toco. “Essa música tá ótima. Você só precisa ouvir aquilo que toca. (…) *Jazz, você toca tudo muito bem, só lhe falta ter um bom ouvido, e isso não é dom, você aprende…”. Refleti a respeito e vi que não me adianta ter toda a técnica do mundo se eu não consigo perceber, sentir aquilo que faço. Música não é apenas uma sequência de notas e pausas, música é linguagem. É vida.
Enfim, percebi que ou eu vivo a música ou eu desisto dela. Me esforçarei ao máximo na primeira opção, afinal, “-Você gosta de música? -Mais do que comida.” (trecho de O som do Coração).
*Jazz: apelido que meu professor pôs em mim pela semelhança de fonemas entre o nome do ritmo e “Jeci” em inglês. Claro que, também, – e principalmente e intecionalmente- pelo fato de ser música!